O Elo7 acabou oficialmente em maio de 2026 e deixou muitas artesãs, criadoras de personalizados e empreendedoras criativas sem chão. A plataforma, que por muitos anos foi uma das principais vitrines online para produtos artesanais no Brasil, deixou de receber novos pedidos após a decisão da Enjoei de descontinuar suas operações.
Para quem vendia por lá, a notícia não foi apenas sobre o fechamento de um site. Foi sobre perder, de uma hora para outra, uma vitrine construída com tempo, fotos, avaliações, clientes e história.
E talvez essa seja a parte mais dolorida: muita gente não teve tempo de se preparar.
No vídeo que deu origem a este post, eu comentei justamente esse sentimento de susto, tristeza e até desrespeito com tantas empreendedoras criativas que dependiam da plataforma para vender seus produtos personalizados, artesanato, lembrancinhas, papelaria e itens feitos à mão.
Mas agora a pergunta principal é: o que fazer depois do fim do Elo7?
A resposta mais importante é: não dá mais para construir um negócio criativo dependendo de uma única plataforma.

O que aconteceu com o Elo7?
A Enjoei anunciou, no dia 11 de maio de 2026, a descontinuação das operações do Elo7. A partir dessa data, a plataforma deixou de receber novos pedidos, mas a empresa afirmou que cumpriria as obrigações relacionadas às transações que já estavam em andamento.
Segundo o comunicado divulgado pela empresa, a decisão aconteceu depois de uma revisão estratégica e foi influenciada pelo aumento da concorrência no e-commerce, especialmente com a expansão de grandes empresas multinacionais. A Enjoei também informou que o Elo7 teve queda de 39,5% na receita líquida no quarto trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Traduzindo para a vida real da artesã: o mercado mudou, os custos para atrair clientes ficaram mais altos, os grandes marketplaces cresceram e o Elo7 acabou perdendo força.
Mas, para quem vendia por lá, a explicação financeira não ameniza o impacto.
Porque uma coisa é uma empresa decidir encerrar uma operação. Outra coisa é a artesã acordar e perceber que sua maior fonte de renda simplesmente não recebe mais pedidos.
Por que o fim do Elo7 impactou tanto as artesãs?
O Elo7 não era só mais um marketplace.
Para muitas pessoas, ele foi a primeira loja online. O primeiro lugar onde conseguiram vender artesanato. A primeira vitrine que fez uma artesã pensar: “talvez eu consiga viver do que eu crio”.
E isso tem um peso emocional enorme.
Muitas empreendedoras criativas tinham ali:
- fotos dos produtos;
- descrições dos anúncios;
- avaliações positivas;
- histórico de vendas;
- relacionamento com clientes;
- uma vitrine que já aparecia no Google;
- anos de trabalho acumulado.
Por isso, o fechamento repentino gerou tanta tristeza. Não foi só o fim de uma plataforma. Foi o fim de um espaço que, por muito tempo, simbolizou a valorização do artesanato brasileiro.
No começo, o Elo7 tinha esse lugar bonito: mostrar que produto feito à mão tinha valor, tinha mercado e tinha gente procurando.
Com o tempo, muita gente sentiu que esse posicionamento foi se perdendo. As mudanças de gestão, o aumento da concorrência, os desafios de entrega e a falta de investimento em divulgação foram deixando a plataforma menos forte para quem vendia por lá.
E quando o encerramento veio, veio com aquele gosto amargo de: “poderiam ter dado um tempo maior para a artesã se preparar para essa mudança”.
O maior aprendizado: não coloque seu negócio inteiro em uma plataforma só

Esse talvez seja o principal ponto deste post.
Se você vende artesanato, produtos personalizados, papelaria criativa, lembrancinhas ou qualquer produto feito sob encomenda, você precisa entender uma coisa:
Marketplace é vitrine alugada.
- Pode vender bem? Pode.
- Pode trazer clientes? Pode.
- Pode ser uma ótima porta de entrada? Pode.
- Mas ele não é seu território.
Quando você vende apenas em marketplace, você fica sujeita às regras da plataforma. E essas regras podem mudar a qualquer momento.
A plataforma pode:
- aumentar taxas;
- mudar algoritmo;
- limitar produtos personalizados;
- alterar prazos;
- suspender anúncios;
- bloquear termos;
- reduzir entrega orgânica;
- mudar política de envio;
- ou, como vimos agora, encerrar as atividades.
Por isso, a frase “não coloque todos os ovos em uma cesta só” nunca fez tanto sentido para quem trabalha com negócio criativo.
O marketplace pode fazer parte da estratégia, mas ele não deveria ser a estratégia inteira.

Marketplace não é errado. O problema é depender só dele
É importante deixar isso claro: vender em marketplace não é ruim.
Shopee, Mercado Livre, Amazon e outras plataformas podem ajudar muito quem está começando, porque elas já têm tráfego, estrutura de pagamento, busca interna e clientes procurando produtos.
O problema começa quando a artesã coloca toda a energia em construir o terreno dos outros e esquece de construir o próprio.
Pensa comigo: se você divulga todos os dias só o link da sua loja em marketplace, você está fortalecendo o marketplace. Mas se você divulga seu site, seu Instagram, seu WhatsApp, sua lista de clientes e sua marca, você está fortalecendo o seu próprio negócio.
O ideal é usar os marketplaces como canais de venda, mas ter um ecossistema próprio ao redor.

O que fazer agora se você vendia no Elo7?
Se você tinha loja no Elo7, o primeiro passo é respirar. Eu sei que parece simples demais dizer isso, mas no susto a gente tende a sair correndo para qualquer lado.
Agora é hora de organizar o que você tem e reconstruir com mais autonomia.
1. Salve tudo o que ainda conseguir
Se você ainda tiver acesso a alguma informação da sua loja, salve o máximo possível:
- fotos dos produtos – nesse link mostra como salvar.
- nomes dos anúncios;
- descrições;
- preços;
- avaliações;
- perguntas frequentes dos clientes;
- dados de pedidos antigos;
- contatos permitidos dentro das regras;
- produtos mais vendidos;
- combinações que tinham mais procura.
Mesmo que você vá mudar de plataforma, esse material é muito valioso. Ele mostra o que já funcionava.
2. Liste seus produtos campeões
Não tente recriar a loja inteira de uma vez.
Comece pelos produtos que já tinham mais saída ou mais potencial:
- lembrancinhas de festa;
- kits personalizados;
- produtos para casamento;
- agendas;
- cadernos;
- planners;
- tags;
- caixas personalizadas;
- convites;
- produtos digitais;
- itens que você consegue produzir com mais rapidez.
A pergunta aqui é:
Quais produtos merecem voltar para a vitrine primeiro?
3. Escolha novos canais de venda
Você pode testar diferentes caminhos:
| Canal | Melhor para |
|---|---|
| Loja própria | Construir marca e autonomia |
| Relacionamento, bastidores e encomendas | |
| Atendimento direto e vendas personalizadas | |
| Shopee | Produtos prontos, kits e itens com envio mais rápido |
| Mercado Livre | Produtos com demanda mais objetiva |
| Atrair pessoas pesquisando ideias e inspirações | |
| Blog | Aparecer no Google e em respostas de IA |
| YouTube | Construir autoridade e confiança |
O ponto não é estar em todos ao mesmo tempo. O ponto é não depender de um só.

E quem trabalha com produto personalizado sob encomenda?
Esse é um desafio real.
Muitos marketplaces grandes funcionam em uma lógica de entrega rápida. Só que produto artesanal e personalizado nem sempre combina com essa velocidade.
Como eu comentei no vídeo, o e-commerce atual muitas vezes funciona no ritmo do “fast food”, mas o artesanal trabalha no ritmo do slow craft: tem criação, conversa com cliente, aprovação, produção, acabamento, embalagem e envio.
Por isso, se você quer vender em plataformas como Shopee ou Mercado Livre, talvez precise adaptar sua vitrine.
Uma estratégia possível é dividir seus produtos em 3 categorias:
1. Produtos prontos para envio
São produtos que você já consegue deixar preparados.
Exemplos:
- bloquinhos prontos;
- tags com frases prontas;
- kits de papelaria;
- adesivos sem personalização;
- toppers genéricos;
- lembrancinhas com temas mais amplos;
- produtos para datas comemorativas.
Esses produtos ajudam você a atender prazos mais curtos.
2. Produtos semi-personalizados
Aqui o cliente escolhe apenas alguns detalhes.
Exemplos:
- nome;
- cor;
- frase curta;
- tema;
- data;
- pequena alteração na arte.
Esse modelo reduz o tempo de produção, mas ainda mantém o toque personalizado.
3. Produtos totalmente sob encomenda
Esses devem ficar, de preferência, no seu canal próprio, WhatsApp, Instagram ou loja virtual com regras claras.
Exemplos:
- identidade visual de festa completa;
- agendas totalmente personalizadas;
- kits de casamento;
- caixas especiais;
- lembranças feitas do zero;
- produtos que exigem conversa e aprovação.
Assim você não tenta encaixar tudo dentro da lógica de marketplace rápido.
Confira: 5 Personalizados Mais Lucrativos

Onde vender artesanato depois do fim do Elo7?
Não existe uma única resposta perfeita. O melhor canal depende do tipo de produto, do seu tempo de produção, do seu público e da sua estratégia.
Mas, para quem vendia no Elo7, eu pensaria assim:
Se você vende produto pronto
Você pode testar marketplaces como Shopee, Mercado Livre ou Amazon, principalmente se o produto tiver busca clara e envio rápido.
Exemplos:
- materiais de papelaria;
- kits prontos;
- lembrancinhas genéricas;
- itens decorativos;
- produtos para datas comemorativas;
- moldes digitais;
- arquivos digitais;
- produtos em escala pequena.
Se você vende produto personalizado
Você provavelmente precisa fortalecer canais próprios:
- Instagram;
- WhatsApp Business;
- loja virtual;
- catálogo online;
- Pinterest;
- blog;
- YouTube.
Produto personalizado exige confiança. E confiança é construída com conteúdo, bastidor, prova social, fotos reais e relacionamento.
Se você vende para festa, casamento ou maternidade
Pinterest e Google podem ser muito importantes, porque muita gente pesquisa ideias antes de comprar.
Exemplos de conteúdos que atraem clientes:
- “ideias de lembrancinhas para casamento”
- “como escolher papelaria personalizada para festa infantil”
- “lembrancinhas criativas para maternidade”
- “kit festa personalizado: o que vem?”
- “quanto custa fazer convite personalizado?”
Esse tipo de conteúdo pode levar pessoas para sua loja, Instagram ou WhatsApp.

Loja própria: por que ela ficou ainda mais importante?
Depois do fim do Elo7, muita gente começou a perceber algo que antes parecia distante:
Ter uma loja própria não é luxo, é proteção.
Não significa que você precisa começar com algo caro ou complicado. Mas você precisa ter um lugar seu.
Pode ser:
- uma loja virtual;
- um site simples;
- uma página com catálogo;
- um blog com páginas de produtos;
- uma landing page;
- um domínio próprio apontando para seus canais.
O importante é que sua marca tenha uma casa.
Porque rede social muda. Marketplace muda. Algoritmo muda. Mas quando você tem um site, um domínio, uma lista de clientes e uma presença própria, você constrói algo que não depende totalmente da decisão de outra empresa.
Eu indico construir sua loja virtual na NuvemShop: por esse link você ganha 25% off no 1º mês de qualquer plano pago.
O que colocar no seu site ou loja própria?
Se você está começando agora, não precisa montar uma estrutura enorme.
Comece com o essencial:
Página inicial
Explique quem você é, o que vende e para quem.
Exemplo:
Produtos personalizados feitos com carinho para transformar momentos especiais em memórias criativas.
Página de produtos
Organize por categorias:
- casamento;
- festa infantil;
- maternidade;
- papelaria personalizada;
- brindes;
- lembrancinhas;
- produtos digitais.
Página “sobre”
Conte sua história. No artesanato, a história vende junto com o produto.
Página de contato
Inclua WhatsApp, Instagram e informações de atendimento.
Página de dúvidas frequentes
Responda perguntas como:
- qual o prazo de produção?
- dá para personalizar?
- como funciona a aprovação da arte?
- quais formas de pagamento?
- envia para todo o Brasil?
- posso pedir uma quantidade menor?
Blog
Aqui entra uma oportunidade enorme.
Um blog pode atrair pessoas que estão pesquisando no Google e também pode ajudar seu conteúdo a aparecer em respostas de IA.
Como usar conteúdo para vender mais depois do Elo7?
O erro de muitas artesãs é pensar que conteúdo serve só para postar produto.
Mas conteúdo também serve para educar, inspirar e criar desejo.
Se você vende papelaria personalizada, por exemplo, pode criar posts como:
- “Como escolher lembrancinhas para festa infantil”
- “Quanto tempo antes encomendar personalizados?”
- “O que colocar em um kit de papelaria para casamento?”
- “Ideias de lembrancinhas úteis para aniversário”
- “Como transformar uma festa simples em uma festa encantadora”
Se você trabalha com produtos criativos, pode criar conteúdos mostrando:
- bastidores;
- antes e depois;
- processo de criação;
- materiais usados;
- erros comuns;
- ideias de uso;
- depoimentos;
- embalagem;
- comparação entre modelos.
Esse tipo de conteúdo não só ajuda a vender, como também constrói autoridade.
O fim do Elo7 também mostra a importância da comunidade
Uma coisa ficou muito clara com essa notícia: as artesãs sentiram juntas.
Muita gente comentou que comprava no Elo7, que montou casamento por lá, que vendeu muito, que tinha avaliações lindas, que começou ali, que estava triste, que foi pega de surpresa.
Isso mostra que o artesanato não é só produto.
- É memória.
- É afeto.
- É renda.
- É identidade.
- É possibilidade de trabalhar em casa.
- É uma forma de transformar criatividade em sustento.
Por isso, quando uma plataforma como o Elo7 acaba, o impacto vai além do mercado. Ele toca histórias reais.
E talvez esse seja o momento de a comunidade criativa se fortalecer ainda mais: compartilhando alternativas, experiências, ferramentas, caminhos e aprendizados.

O que eu faria agora se estivesse recomeçando do zero?
Se eu tivesse uma loja no Elo7 e precisasse me reorganizar agora, eu seguiria este plano:
Semana 1: resgate e organização
- salvar fotos;
- listar produtos;
- separar avaliações;
- identificar campeões de venda;
- organizar preços;
- revisar custos;
- atualizar contatos e redes.
Semana 2: escolha de canais
- criar ou atualizar Instagram;
- organizar WhatsApp Business;
- escolher uma plataforma para loja própria;
- testar 1 marketplace, se fizer sentido;
- criar uma página simples com seus principais produtos.
Semana 3: reconstrução da vitrine
- cadastrar produtos principais;
- escrever descrições melhores;
- colocar boas fotos;
- explicar prazo de produção;
- criar destaques no Instagram;
- montar mensagens prontas de atendimento.
Semana 4: divulgação
- postar bastidores;
- mostrar produtos prontos;
- fazer vídeos curtos;
- criar pins no Pinterest;
- mandar mensagem para antigos clientes, se tiver permissão;
- criar uma campanha de reabertura.
Não precisa resolver tudo em um dia. Mas precisa começar.

Perguntas frequentes sobre o fim do Elo7
O Elo7 fechou mesmo?
Sim. A Enjoei anunciou em 11 de maio de 2026 a descontinuação das operações do Elo7, e a plataforma deixou de receber novos pedidos a partir dessa data.
Quem tinha pedidos em andamento no Elo7 vai receber?
Segundo o comunicado da empresa, as obrigações relacionadas às transações já em curso seriam cumpridas.
Onde vender artesanato agora que o Elo7 acabou?
Você pode vender em loja própria, Instagram, WhatsApp, Shopee, Mercado Livre, Amazon, Pinterest, blog e YouTube. O ideal é combinar canais e não depender de apenas um.
Shopee substitui o Elo7?
Não exatamente. A Shopee pode funcionar para alguns produtos, principalmente os prontos ou semi-personalizados, mas produtos totalmente sob encomenda podem ter dificuldade por causa da lógica de envio rápido e concorrência por preço.
Vale a pena criar loja própria?
Sim, principalmente para quem quer construir marca, ter mais autonomia e não depender totalmente das regras de marketplaces. A loja própria pode trabalhar junto com redes sociais e marketplaces. Recomendo a NuvemShop (25% de desconto no 1º mês por esse link)
O que artesãs podem aprender com o fim do Elo7?
O maior aprendizado é que um negócio criativo precisa ter canais próprios: site, lista de clientes, Instagram, WhatsApp, conteúdo e marca. Marketplace ajuda, mas não deve ser a única base do negócio.

Conclusão: o Elo7 acabou, mas o seu negócio criativo não precisa acabar
O fim do Elo7 foi triste, principalmente pela forma repentina como aconteceu. Para muitas artesãs, ele representava muito mais do que uma plataforma de vendas. Era uma vitrine, uma memória, um começo.
Mas, ao mesmo tempo, esse momento deixa um recado importante:
O futuro do seu negócio criativo precisa estar nas suas mãos.
Use marketplaces, sim.
Venda na Shopee, no Mercado Livre, na Amazon, se fizer sentido.
Mas construa também sua marca, seu site, sua comunidade, sua lista, seu conteúdo e seus próprios caminhos.
Porque plataformas podem acabar.
Algoritmos podem mudar.
Regras podem virar do dia para a noite.
Mas aquilo que você constrói com identidade, relacionamento e estratégia continua sendo seu.
E se tem uma coisa que a artesã brasileira sabe fazer é recomeçar criando.
Então, se você foi impactada pelo fim do Elo7, respira. Organiza seus produtos, salva o que puder, escolhe seus próximos canais e começa a reconstruir com mais autonomia.
Seu trabalho criativo não acabou junto com uma plataforma.
Ele só precisa de uma nova vitrine.

